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22/11/2009

SAÚDE MENTAL NA CIDADE DE SÃO PAULO

Até 14 de maio de 1852, quando foi instalado o Hospício Provisório de Alienados na capital, não havia um espaço adequado em nossa cidade para tratar adequadamente os doentes mentais.
O primeiro espaço era alugado e ficava na Rua São João; teria, a princípio, apenas nove internos. Funcionou ali até 1864, quando foi transferido para uma chácara na Ladeira da Tabatingüera, de propriedade provincial (Moreira, 1905). Mesmo não encontrando registro oficial falando do porquê da mudança, podemos concluir que a mudança para a ladeira da Tabatingüera foi motivada pelo excesso de procura por internação.
Esse local permaneceu funcionando até 1903; o Hospital-Colônia de Juquery seria inaugurado, ainda parcialmente concluído, em 1898, mas só em 1903 terminaria a transferência dos internos para o novo Hospício, cerrando-se então definitivamente as portas da casa da Tabatingüera (Franco da Rocha, 1912).
A intervenção médica somente passaria a ser visível no Hospício da capital paulista depois de decorridos mais de 40 anos de sua fundação, com a entrada de Franco da Rocha para o seu corpo clínico, em 1893. Depois de 1895, com o início das obras do Hospício de Juquery, começaria nova etapa na história da assistência aos alienados em São Paulo, tendo como modelo o Hospício Nacional de Alienados (D. Pedro II) no Rio de Janeiro dirigido pelo Dr. Juliano Moreira, o pai da psiquiatria no Brasil.
O Juqueri e outras unidades existentes a partir dos anos 20 não conseguiam atender a todos os pacientes com distúrbios mentais. Neste período, mais especificamente em 1922, a Família Pacheco deu início à construção de um novo espaço desta vez mais próximo do perímetro urbano, na Fazenda Anastácio. Surge então em Pirituba, o Hospital Psiquiátrico Pinel, com uma arquitetura moderna de inspiração norte-americana para atender exclusivamente as mulheres. Por localizar-se no então subúrbio da cidade, com muita área verde, aproveita-se a vantagem da natureza para tratar com eficiência através de hortas comunitárias. E utiliza-se do método mais moderno para tratar os doentes até então: o eletrochoque. Somente a partir de 1944, é que começa a atender os mais carentes, quando o Estado compra o sanatório. E em 1987 começa a atender também os homens. Hoje é voltado para o público adulto e infantil, e desenvolve um trabalho de reinserção social através de equipes multiprofissional.
E você. Acha que os espaços disponíveis para o tratamento mental em nossa cidade são suficientes?


Fontes

4 comentários:

  1. Se é suficiente eu não sei, porem tive um tio muito querido, que inclusive já faleceu, que quando precisou passar por internação no Pinel, conseguiu uma vaga, porem a coisa que mais me chamou atenção quando fui visita-lo e que todos os doentes ficavam misturados independente do grau da doença, e acho que isto não é bom dependendo da condição do paciente.

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  2. Muito interessante esta post, fiquei surpresa ao ver o resgate histórico que vcs apresentaram. Mas, um aspecto me deixou bem curiosa: a aplicação dos eletrochoques estão sendo trabalhadas novamente. Vocês têm alguma informação sobre isso? Como este "Retorno" está sendo feito? o que isso significa? Será que não existe outro meio de tratamento, menos agressivo, menos violento.
    um abraço,
    Nanci

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Nanci, boa noite.
    Os links:
    http://www.drauziovarella.com.br/entrevistas/eletrochoque2.asp

    http://www.drauziovarella.com.br/entrevistas/eletrochoque7.asp

    esclarecem as questões levantadas por você.
    Pelo que li cheguei a conclusão que o tratamento, apesar de arcaico, agora está mais humano.
    Quero agradecer a todos os que leram e postaram comentários pois o objetivo de nossos textos é esse: provocar a reflexão e o questionamento.

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